14/05/2026
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Contrato de tapa-buraco sobe de R$ 4 mi para R$ 23 mi

Um contrato de tapa-buraco na Região do Segredo, em Campo Grande, é um dos principais alvos da Operação Buraco Sem Fim, do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). O serviço, que começou com valor de R$ 4,2 milhões, chegou a uma despesa superior a R$ 20 milhões após sucessivos aditivos.

De acordo com a investigação, a Construtora Rial Ltda venceu a concorrência para recompor a pavimentação na região, com contrato inicial de R$ 4.288.013,74. Com os aditivos, o valor total da obra chegou a R$ 21.355.970,06, segundo o MPMS.

Na última terça-feira (12), a operação prendeu o ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, que assinou o contrato em 2022, e dois representantes da construtora. Foram presos Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, sócio-administrador, e seu pai, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como “Peteca”. Para o Gecoc, Antônio Roberto é o verdadeiro tomador de decisões da empresa.

Durante a operação, foram apreendidos R$ 429 mil em espécie. Mais da metade desse valor estava na casa de Antônio Roberto. Outros maços de dinheiro foram encontrados na residência de Rudi Fiorese.

O Portal da Transparência da Prefeitura de Campo Grande mostra que o valor final do contrato é ainda maior: R$ 23.630.404,98, sendo R$ 19.342.391,24 em aditivos. O contrato, assinado em 1º de julho de 2022, previa manutenção de pavimento asfáltico por 12 meses em bairros como Vila Nasser, Nova Lima, Seminário, Coronel Antonino, Monte Castelo, Vida Nova, Coophasul e Jardim Presidente.

Ao longo dos anos, o contrato foi prorrogado e reajustado. O terceiro aditivo, em março de 2024, aumentou o valor em 20,64% (R$ 885.003,41). Em fevereiro deste ano, um reajuste por apostilamento acrescentou mais R$ 1.073.328,93, com base em índices setoriais. O contrato está vigente até 24 de julho de 2026.

O vereador Marquinhos Trad (PV), ex-prefeito de Campo Grande, afirmou que a Rial nunca prestou serviços de tapa-buraco em sua gestão. A Sisep informou, em nota, que acompanha os trabalhos do Gecoc e que servidores investigados foram exonerados. A defesa do ex-secretário Rudi Fiorese disse que a prisão não se justifica e que prepara um pedido de habeas corpus.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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