28/05/2026
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PCC: ‘Beto Louco’ e ‘Primo’ no comando bilionário

Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “João”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, são apontados como os líderes do esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. As investigações fazem parte das megaoperações Carbono Oculto e Fluxo Oculto, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

De acordo com os promotores, a organização criminosa atuava em toda a cadeia produtiva de combustíveis, açúcar e álcool. O esquema incluía usinas, distribuidoras, transportadoras, refinarias, armazenagem e redes de postos de combustíveis e conveniências.

A Operação Fluxo Oculto, realizada nesta quinta-feira (28), indica que um sistema de fintechs ligadas aos dois líderes continuava operando na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Mohamad é descrito como o “epicentro das operações” e chefe da organização. Ele usava empresas em todo o setor para cometer fraudes fiscais, ocultar patrimônio e lavar bilhões de reais. A rede criminosa era formada por familiares, sócios, administradores e profissionais cooptados por ele.

No LinkedIn, Mohamad se apresentava como CEO da G8LOG, empresa de transporte de cargas perigosas, e consultor do grupo Copape, que formula gasolina a partir de derivados de petróleo. “Sou um empresário e investidor que acredita na potência do trabalho”, escreveu ele em seu perfil. As investigações apontam que a Copape e a distribuidora Aster foram compradas por Mohamad e usadas para as fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.

O grupo liderado por ele inflava artificialmente os preços dos insumos nas transações entre a Copape e a Aster para sonegar impostos e obter créditos tributários indevidos. Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, é apontado como colíder da organização. Ele era responsável pela gestão das empresas Copape e Aster, usadas para fraudes fiscais, contábeis, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro.

O esquema era dividido entre a gestão operacional das usinas e a gestão financeira e patrimonial. Fundos de investimento e empresas de participação eram usados para ocultar a origem e o destino dos recursos ilícitos. Esta não é a primeira vez que Mohamad é alvo do Ministério Público. Em junho do ano passado, ele foi denunciado por sonegação de impostos e adulteração de bombas em postos para obter lucros milionários.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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