28/05/2026
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Moïse Kouame: a trajetória do ‘matcheur

O tenista francês Moïse Kouame, de 17 anos, enfrenta Daniel Vallejo nesta quinta-feira, 28 de maio, pelo segundo turno de Roland-Garros. Desde os primeiros passos nas quadras, ainda no Val-d’Oise, o jovem já demonstrava habilidades raras, especialmente a capacidade de elevar o nível de jogo quando a pressão aumenta.

Em janeiro de 2014, o conselheiro esportivo territorial François Rouhier registrou pela primeira vez o nome de Kouame. “Com 5, 6 anos, a gente não escolhe as crianças pela eficiência, mas pela destreza e pelo prazer em jogar”, lembra. Mesmo antes dos 5 anos, o menino já preenchia todos os requisitos. “Ele tinha qualidades notáveis de coordenação e amava o tênis pelas razões certas”, afirma Rouhier, que o acompanhou por três anos no comitê departamental de Cergy.

Nascido em Sarcelles em 2009, Kouame treinou com jogadores mais velhos. “Treinei muitos jovens com alto potencial, e Moïse estava entre os que mais tinham”, diz Erwan Rebuffé, seu treinador no Tennis Club Sarcellois. A mãe, Suzanne, era muito presente e levava os filhos para jogar juntos nos finais de semana. Rebuffé lembra que, mesmo quando perdia, o garoto rapidamente voltava a jogar contra o muro ou com um amigo. “Um espírito incrível.”

O que diferenciava Kouame dos outros era sua capacidade de ser um “matcheur”. Bruce Liaud, que trabalhou com ele no Pôle France de Poitiers, confirma: “Ele já tinha essa recusa em perder. Aumentava o nível, a precisão e a concentração. Sempre teve a capacidade de ser melhor nos finais de set.”

Rebuffé acrescenta: “Quanto mais quente, melhor ele joga. Era capaz de se superar no money-time, e isso desde os 7 anos.” Quando seu treinador oferecia uma recompensa ao vencedor, o olhar do menino mudava. “De repente, ele corria três vezes mais rápido e acertava os golpes certos na hora certa.”

Olivier Delaitre, que o acompanhou na All In Academy, lembra que Kouame era menor que os parceiros de treino, mas “dava um jeito de vencer”. Ele tinha um estilo comparado ao de Gilles Simon: “Assim que entrava em uma partida, tinha algo a mais.” Mesmo que isso significasse ignorar as instruções do técnico. “Ele jogava para ganhar, não para desenvolver algo treinado.”

Liaud destaca o caráter forte do jovem: “Moïse estava pronto para o combate e para mostrar que não desistiria.” Delaitre testemunhou isso quando Kouame, após se machucar jogando futebol, passou quase dois meses treinando apenas slices de esquerda. “Ele perdia quase todos os sets e ficava louco. Não suportava perder.”

Em Paris, o jovem vem mostrando seu valor. Liaud não teme que a repentina atenção o desvie do caminho. “Ele é inteligente, determinado e sabe onde quer chegar.”

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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