A atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, divulgada nesta semana, manteve três animais conhecidos em Mato Grosso do Sul na categoria de risco “Vulnerável”. O levantamento foi conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e reúne 790 espécies ou subespécies ameaçadas em todo o país.
A arara-azul-grande, uma das aves mais emblemáticas do Pantanal sul-mato-grossense, continua classificada como vulnerável. A espécie depende de áreas preservadas de mata e de árvores específicas para se reproduzir. A classificação indica que a ave ainda não corre risco imediato de extinção, mas enfrenta pressão contínua, principalmente pela perda de habitat e pela degradação ambiental.
O bugio-preto também aparece na lista como vulnerável. O animal é visto em áreas urbanas, como na periferia de Campo Grande. A espécie ocorre em diferentes regiões do estado, especialmente em fragmentos de mata e áreas de transição entre Cerrado e Pantanal. O status indica redução ou ameaça às populações naturais, embora o animal ainda seja relativamente presente em áreas preservadas.
O minhocuçu (glossoscolex matogrossensis) é outro animal considerado vulnerável. Menos conhecido do grande público, trata-se de um invertebrado de grande porte ligado diretamente à qualidade do solo. A espécie é sensível a alterações ambientais, como uso intensivo da terra, compactação do solo e perda de vegetação nativa. Por isso, é considerada um indicador da saúde dos ecossistemas subterrâneos.
Na classificação do ICMBio, a categoria Vulnerável (VU) indica espécies com alto risco de se tornarem ameaçadas no futuro, caso as pressões ambientais continuem. Não significa extinção iminente, mas sim necessidade de monitoramento e ações de conservação.
A lista nacional não é organizada por estados, mas por avaliação de risco em todo o território brasileiro. A presença em Mato Grosso do Sul depende da distribuição natural das espécies, não de recortes administrativos.
A atualização reforça que espécies associadas a biomas como o Pantanal e o Cerrado seguem sensíveis às mudanças ambientais. Mesmo animais ainda comuns na paisagem, como o bugio-preto, já entram em categorias de alerta. No caso do minhocuçu, o risco aparece de forma menos visível, mas igualmente relevante: a degradação do solo pode afetar diretamente organismos essenciais para o equilíbrio ecológico.
Muito comum entre pescadores para atrair diferentes espécies de peixes, o minhocuçu simplesmente desapareceu das casas de iscas. A comercialização, que até então acontecia livremente, foi proibida em 2020, com intensificação nas fiscalizações dos órgãos ambientais. A avaliação nacional é usada como base para políticas públicas de conservação e definição de prioridades ambientais no país.
