A sequestradora Suzilaine da Graça Costa, de 28 anos, presa pelo sequestro de uma recém-nascida, planejou o crime por um longo período. Ela procurou gestantes que dariam à luz na mesma época até encontrar uma menina com as características que queria. A informação foi dada pela delegada Anne Karine Trevizan, da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), em coletiva na manhã desta sexta-feira (14).
A investigação descartou que a bebê tenha sido entregue pela mãe ou que o crime tivesse ligação com venda de crianças ou organização criminosa. “Ela realmente planejou esse sequestro porque tinha o intuito de ter uma filha. Buscou outras gestantes que dariam à luz na mesma época, só que ela queria uma menina. Arquitetou tudo isso durante um bom tempo”, explicou a delegada.
Para chegar até a bebê, a suspeita construiu uma relação de confiança com a mãe, uma adolescente de 17 anos. Suzilaine aparecia com doações de roupas e fraldas, fazia visitas à residência e se apresentava como alguém disposta a ajudar. A aproximação começou em grupos de WhatsApp de bairros, onde moradores trocam ou doam itens para crianças.
No dia do crime, a mulher prometeu pagar R$ 100 para que a mãe cuidasse de uma suposta filha de seis meses. Segundo a polícia, a criança que ela dizia ter era, na realidade, sua neta. A ação foi preparada com antecedência. A suspeita criou uma conta em aplicativo de transporte um dia antes para dificultar sua identificação.
Suzilaine levou as adolescentes e a bebê para um imóvel que funcionaria como cativeiro. As duas meninas foram deixadas em um matagal. A sequestradora trocou a roupa da bebê para que parecesse um menino e seguiu em direção ao Paraguai. Ela foi presa junto com o companheiro Alex Melo de Abreu, que tinha conhecimento do sequestro, usava documento falso e tinha mandado de prisão em aberto.
A delegada afirmou que Suzilaine contou sobre uma suposta gravidez para o companheiro. “Ela disse que estava grávida e depois relatou que havia perdido o bebê. Verificamos que isso não existe. Acreditamos que ela nunca esteve grávida”, acrescentou. A intenção seria preservar a relação com o companheiro. A suspeita tem três filhos, que foram criados pela avó enquanto ela esteve presa.
Durante a investigação, uma mulher relatou que também foi abordada pela suspeita, mas não foram identificadas outras vítimas de sequestro. A delegada orientou famílias a terem cautela com pessoas que se aproximam oferecendo doações, especialmente em grupos de bairro. A investigação foi encerrada e o material será encaminhado ao Poder Judiciário.
A suspeita admite ter levado a criança, mas sustenta a versão de que o sequestro teria relação com dívida de drogas. A delegada afirmou que essa história foi criada para despistar a polícia e que não há elementos que comprovem facção ou tráfico internacional de crianças. “É um crime isolado e planejado para que Suzilaine tivesse a menina”, pontuou.
A bebê foi resgatada na madrugada de domingo (9), em uma casa no bairro Virgen de Caacupé, no Paraguai. Ela passou por exames médicos e foi repatriada. Na quarta-feira (13), foi devolvida à família em Campo Grande.
