25/05/2026
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Maratonista descobre gravidez de trigêmeas em Dubai

A sul-mato-grossense Mariana Barbosa de Jesus, de 37 anos, foi para os Emirados Árabes com o plano de treinar para a Maratona de Dubai e viver um período mais tranquilo. Personal trainer, professora de yoga e mestra reikiana, ela mantinha a rotina de treinos e dava aulas online. A vida mudou quando, em uma consulta médica, descobriu que estava grávida de trigêmeas, de forma natural e sem qualquer preparo para engravidar.

“Nem ácido fólico eu tinha tomado. Eu estava treinando para a maratona, tomei vinho dias antes e estava tudo certo”, disse Mariana. Natural de Mato Grosso do Sul, ela se mudou para Abu Dhabi após o marido, o lutador Nicholas Favaretto, ser contratado para um projeto de jiu-jítsu no exército e nas escolas do país. O casal se conheceu no fim de 2019 e, em 45 dias, decidiu se casar. A pandemia adiou a mudança, que só ocorreu no ano passado.

A adaptação ao novo país trouxe desafios. “O que mais me impactou foi o bioma. Aqui você vê areia, areia, areia. Não tem o verde que a gente está acostumado no Brasil”, contou. Mariana disse que nunca sofreu preconceito, mas aprendeu a lidar com os costumes locais. “Às vezes eu me sentia desconfortável de estar muito exposta, porque as mulheres estão todas cobertas. Então, por respeito, em vários momentos eu saía com meu xale também.”

A descoberta da gravidez foi inesperada. Após ter pequenos sangramentos, Mariana procurou atendimento médico. O obstetra fez um ultrassom e disse: “Two babies”. Depois, olhou de novo e completou: “Maybe three”. Com seis para sete semanas de gestação, os três embriões e os corações batendo já eram visíveis. “Não teve aquele momento leve de ‘ai, estamos grávidos’. Foi um choque. Mas ao mesmo tempo eu me senti muito privilegiada”, afirmou.

A gravidez foi acompanhada por uma equipe especializada em medicina fetal em um hospital de referência nos Emirados. O médico responsável, o jordaniano Mohammed, usava tradutores e aplicativos para se comunicar com o casal em português. “O plano de saúde cobriu absolutamente tudo. Foi excelência do começo ao fim”, disse Mariana.

As trigêmeas nasceram prematuras e passaram pela UTI neonatal. A última a receber alta foi Alma, que ficou internada por 86 dias. Mariana descreveu esse período como o mais difícil. “O mais duro foi ir para casa sem as meninas”, resumiu. Sem rede de apoio próxima, ela enfrentou a rotina sozinha enquanto o marido trabalhava. “Pegava táxi, ia para o hospital, ficava o dia inteiro lá, voltava para casa e seguia na rotina de ordenha. Isso foi intenso.”

Hoje, Mariana divide a rotina entre os cuidados com as filhas e a saudade do Brasil. A família pretende manter as tradições brasileiras em casa. “O churrasquinho de domingo tem que existir. A feijoada não é completa porque não tem carne de porco, mas o feijão preto ajuda a matar a saudade”, brincou. Ela reforça às filhas que nascer nos Emirados não apaga as raízes brasileiras. “Elas não são árabes, são pantaneiras. Eu falo que são emiradenses pantaneiras.”

Mariana mostra a rotina da família no perfil @marijijesus.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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