17/06/2026
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Intervenção no transporte: motoristas cobram garantia de vale salarial

Intervenção no transporte: motoristas cobram garantia de vale salarial

Às 3h30 desta quarta-feira (17), a rotina parecia a mesma na garagem da Viação Campo Grande, na Avenida Gury Marques. Os ônibus já estavam lavados, o setor administrativo preparava os itinerários e os primeiros veículos chegavam cheios. Por trás da operação normal, o clima era de incerteza.

Essa madrugada marcou as primeiras 24 horas da intervenção decretada pela Prefeitura de Campo Grande no transporte coletivo urbano. Motoristas e trabalhadores desciam dos ônibus, formavam fila e seguiam para o refeitório. Foi nesse ambiente que Demétrio Freitas, presidente do STTCU-CG, conversou com os trabalhadores. A missão era tentar acalmar a categoria.

“Quando acontece um caso desse, houve uma preocupação muito grande por parte dos trabalhadores. Insegurança. Não sabem o que vai acontecer, se vão receber seus vencimentos em dia”, afirmou Demétrio.

A intervenção retirou temporariamente do Consórcio Guaicurus o poder de gestão sobre o sistema de ônibus. A concessão continua com o grupo, mas a administração passou para uma equipe interventora nomeada pela Prefeitura. A medida pode durar até 180 dias.

Para os passageiros, não deve haver mudanças imediatas. Para os motoristas, a preocupação é com o vale salarial que vence na sexta-feira (19). “A principal dúvida é a questão de salário, receber em dia. O que a gente quer é que o pessoal da intervenção cumpra o combinado”, disse o presidente do sindicato.

O sindicato ainda não teve contato direto com o grupo interventor, mas tem reunião marcada para sexta-feira, às 9h. A data coincide com o pagamento do vale. “A expectativa é que se cumpra, que se pague. Sexta-feira é o dia do vale, então já teremos uma noção”, afirmou Demétrio.

Trabalhadores ouvidos disseram que a intervenção só terá chance de dar certo se for técnica. A principal cobrança é que o processo não vire disputa política. Demétrio evita avaliação sobre a equipe. “O problema já vem se estendendo. Que seja bem-vindo, se for para ajudar”, afirmou.

A operação na garagem seguiu sem alteração. Por volta das 4h, a primeira leva de ônibus começou a deixar a garagem. A intervenção foi determinada após relatório apontar falhas, como descumprimento de horários, problemas de manutenção e risco à segurança.

Na terça-feira (16), o interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira afirmou que a primeira fase será de diagnóstico. Diretores do consórcio foram afastados das funções de gestão. Ao fim, a Prefeitura poderá devolver a gestão, aplicar sanções ou abrir caminho para o encerramento do contrato.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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