07/06/2026
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Deixou CLT para lucrar com pastel e virar patrão

Bryan Seiti Inoue, de 34 anos, largou a carteira assinada para se dedicar ao negócio da família: a venda de pastéis em feiras de Campo Grande. O que antes era motivo de vergonha e bullying na escola, hoje se tornou uma fábrica que produz mais de 1 tonelada de massa por mês.

“Vai fritar pastel, japonês”. “Pastel de flango”. “Suco de lalanja”. Eu tinha vergonha. Na escola era bullying e tiração e, hoje, estamos fazendo sucesso”, relembra Bryan. As brincadeiras dos colegas o fizeram querer fugir do legado dos pais. Formado em administração de empresas e com pós-graduação, ele tentou seguir carreira como professor e estagiário.

“Fiz pós-graduação em didática e metodologia de ensino superior. Na pós-graduação, eu dava aula de logística, teoria geral da administração, informática. Eu fui me arriscar, depois de formado, a trabalhar fora. Fiz estágio em uma casa de embalagem e ganhava bem pouquinho”, conta. Em 2014 e 2015, sua carga horária como contratado chegava a 12 horas.

A virada veio em 2017, quando ele assumiu a barraca da família. “Quando minha mãe ficou doente e quase morreu, pensei em voltar para ajudar, mas falei para o meu pai sobre ter autonomia nas coisas e na administração. Em 2017, eu assumi de vez a feira e abandonei a escola. E aí eu comecei a usar o que eu aprendi na faculdade.”

O negócio, que antes vendia 50 kg de massa por semana com máquinas antigas, hoje produz entre 1 e 2 toneladas por mês com maquinário moderno. A fábrica foi construída na casa da família e emprega mais de dez famílias. “A gente era pobre, isso foi a melhor coisa que eu fiz na vida financeiramente. Já consegui até viagem para a Europa fritando pastel. Sou pós-graduado e vendo pastel”, afirma.

Bryan faz questão de ser um patrão próximo. Ele diz que ganhou 14 “filhos” depois que virou empreendedor. “O que ninguém vê na vida do empreendedor é isso. Eles têm uns problemas que acabam vindo para a fábrica, a gente dá conselho. Empreender não é fácil, mas é muito gratificante.”

A história da barraca começou em 1988, quando os pais de Bryan, Leizo (conhecido como Paulo) e Sumie Inoue (conhecida como Márcia), deixaram São Paulo para ser feirantes em Campo Grande. Antes disso, a família trabalhou na lavoura em Lins (SP) e Assaí (PR). O tio Massaru Ito, que perdeu a esposa em 2025, voltou a trabalhar na barraca depois de ter parado em 2020.

Atualmente, a barraca da família Inoue percorre feiras de terça a domingo. Somente no domingo, na feira do bairro Guanandi, são vendidos quase 1.300 pastéis, além de coxinhas e quibes. Na semana, o número chega a quase 4 mil unidades. Os sabores são os tradicionais: carne, queijo, frango com catupiry, bauru e pizza.

Bryan, que trabalha junto com os funcionários, segue o conselho do pai: “o olho do dono que engorda o gado”. “A gente tem que estar sempre aqui, não importa dia ou horário. A gente tem que liderar, não mandar”, conclui.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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