Campo Grande está entre os sistemas de transporte coletivo de capitais e regiões metropolitanas com maior participação de subsídios públicos no custeio dos ônibus. A informação faz parte do Anuário 2025-2026 da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), divulgado nesta semana.
No levantamento, o sistema municipal de Campo Grande ocupa a 11ª posição entre 24 sistemas analisados. Pelo gráfico apresentado pela NTU, os subsídios correspondem a aproximadamente 35% do custo do transporte coletivo da Capital. O percentual deve ser tratado como aproximado porque o anuário apresenta o resultado em gráfico, sem informar numericamente o índice de cada cidade.
À frente de Campo Grande aparecem Brasília, Goiânia, São Paulo, Cuiabá, Manaus, Teresina, Belo Horizonte, o sistema municipal de Curitiba, Boa Vista e o sistema metropolitano de Curitiba. Depois da Capital sul-mato-grossense estão Aracaju, Rio Branco, Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Alegre, Vitória, Florianópolis, Macapá, Palmas, Recife, Salvador, Belém e Natal.
O levantamento mostra que o uso de dinheiro público para bancar parte da operação dos ônibus deixou de ser exceção no País. Em 2026, 440 cidades brasileiras subsidiam o transporte coletivo, ante 404 em 2025. Antes da pandemia eram 175. Do total atual, 294 adotam subsídios parciais e 146 financiam integralmente os sistemas, permitindo a adoção de tarifa zero.
Segundo a NTU, grandes centros urbanos tendem a adotar o subsídio parcial porque possuem redes mais complexas e caras. Já o financiamento integral, com tarifa zero, está concentrado principalmente em municípios menores. Entre as cidades com gratuidade, 90%, ou 129 municípios, têm menos de 100 mil habitantes.
No caso das cidades maiores, a entidade aponta dificuldade para elevar ainda mais a participação do poder público. Dos municípios que concedem subsídios parciais, 79 têm mais de 300 mil habitantes. Para a NTU, esses sistemas precisam de fontes mais diversificadas de financiamento para bancar a operação e investimentos, como renovação da frota.
O cenário nacional também ajuda a dimensionar o problema. O transporte público coletivo por ônibus custa cerca de R$ 75,7 bilhões por ano no Brasil, e aproximadamente 20% desse valor é coberto por subsídios públicos.
A NTU avalia que os aportes realizados nos últimos anos serviram principalmente para recompor a operação perdida durante a pandemia, sem resultar, na mesma proporção, em expansão e melhoria dos serviços. A entidade defende que União, estados e municípios compartilhem o financiamento para reduzir a dependência da tarifa paga pelos passageiros.
O Anuário também registra que o número de passageiros do transporte coletivo permanece abaixo do período anterior à pandemia e aponta o avanço de automóveis, motocicletas e aplicativos nos deslocamentos urbanos. Esses indicadores de demanda, porém, são calculados a partir de um grupo específico de cidades que não inclui Campo Grande, portanto não podem ser usados como retrato da evolução local.
Em âmbito nacional, o total de viagens realizadas por passageiros caiu 3,7% em 2025 e ficou em 77,5% do nível de 2019. A tendência de perda de passageiros e a expansão dos subsídios são os dois principais sinais apontados pelo anuário para defender uma mudança no modelo de financiamento do transporte público.
