08/05/2026
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Adoção rápida para crianças, mas jovens e doentes enfrentam longa espera

As crianças mais novas são adotadas rapidamente, muitas vezes no mesmo dia em que entram no sistema. Já os adolescentes e aquelas com problemas de saúde permanecem mais tempo em abrigos. A informação é da juíza da Infância, do Adolescente e do Idoso de Campo Grande e presidente da Abraminj, Katy Braun do Prado, em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News.

A cada ano de acolhimento, a criança perde 4 meses de desenvolvimento neurológico. Em Campo Grande, cerca de 200 crianças e adolescentes aguardam por um lar. A juíza destacou o desafio de acelerar o encontro entre os inscritos no cadastro nacional e os filhos que esperam novos pais.

No dia 25, é celebrado o Dia da Adoção, que reforça o debate sobre o tema. Katy Braun mencionou casos de crianças que apresentavam indicativos de transtornos, o que afastava pretendentes, mas que após a adoção o cenário mudou. Ela atribuiu essa melhora ao afeto e à importância do convívio familiar.

Assim como na fila de transplantes, há um cadastro nacional. A Justiça prioriza encontrar uma família na mesma cidade ou estado da criança. Sem essa possibilidade, a busca se expande pelo país e, em último caso, para o exterior.

A juíza mostrou preocupação com a permanência longa de jovens e crianças doentes em abrigos. São 14 unidades na cidade, sendo 10 conveniadas ao Município e 4 da prefeitura. Ela apontou a necessidade de melhor estrutura e pessoal em três deles, além da alta rotatividade de funcionários.

Quem quiser ajudar pode contribuir com a rotina das crianças nos abrigos, com suporte material, para consultas, estudos, ou levando-as para atividades culturais. Também é possível oferecer acolhimento nos finais de semana. O Projeto Padrinho, conduzido pelo Poder Judiciário, identifica o interesse de quem procura e a forma de contribuir. Serviços psicológicos são prestados em parceria com o projeto.

Outra opção são as famílias acolhedoras, preparadas e remuneradas para cuidar das crianças. Na Capital, há apenas 10, mas o ideal seria chegar a cerca de 50, conforme estimativa do CNJ.

Katy Braun também falou sobre o projeto Dar a Luz, que apoia gestantes que desejam entregar o bebê para adoção. Ela explicou que cerca de metade desiste da decisão quando o parto se aproxima. A juíza contou ainda como a Justiça tenta encaminhar grupos de irmãos para novas famílias e disse que a voz das crianças é determinante para a solução.

No dia 24, o TJMS promoverá uma caminhada para mobilizar a população sobre o tema. A saída será às 8h, em frente ao Bioparque Pantanal, com percurso previsto de cerca de 2,7 quilômetros.

Interessados em ajudar o Projeto Padrinho podem ligar para 3317.3512 ou procurar atendimento no Fórum de Campo Grande.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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