21/07/2026
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Vendedor de terno vende água e fé no trânsito de Campo Grande

Vendedor de terno vende água e fé no trânsito de Campo Grande

No cruzamento da Rua Joaquim Murtinho com a Rua Marquês de Lavradio, em Campo Grande, o vendedor Cladyson de Oliveira, de 50 anos, chama a atenção dos motoristas. Vestido com terno social e chapéu de palha, ele aproveita o fechamento do semáforo para oferecer garrafas de água mineral por R$ 3.

A apresentação pessoal, segundo ele, é parte da estratégia de vendas. “Eu sempre trabalho de terno porque isso faz parte do meu marketing. A apresentação ajuda a conquistar a clientela. A gente precisa ter uma postura profissional, trabalhar com educação e respeito”, afirma.

Natural do Paraná, Cladyson mora na capital sul-mato-grossense desde 1980. Depois de anos como empregado, decidiu abrir o próprio negócio e encontrou na venda de água uma forma de sustento. “Costumo dizer que deixei de trabalhar para os ‘segundos’ e passei a trabalhar para os ‘primeiros’. Isso tem um significado para mim, ligado à Palavra de Deus”, explica.

Ele vende água desde 2002 e trabalha exclusivamente com a marca Pôr do Sol. A fidelidade ao produto e ao proprietário da empresa é um dos pilares do seu trabalho. “Para mim, qualidade é qualidade e fidelidade é fidelidade”, resume.

Antes de ocupar o ponto atual, ele vendia água na esquina da Rua 14 de Julho com a Avenida Fernando Corrêa da Costa. Após dois anos sem trabalhar para organizar o novo espaço, recomeçou no local atual. “Quando recomecei aqui deu certo. O mais importante do que o rendimento é manter um ponto fixo. Se hoje você vende aqui, amanhã ali e depois em outro lugar, não conquista a confiança dos clientes”.

A trajetória de Cladyson foi marcada por dificuldades. Aos 7 anos, ele foi arremessado da carroceria de uma caminhonete em uma estrada de cascalho. O impacto causou sangramento no cérebro e deixou sequelas. “Não quebrei nenhum osso, mas o impacto afetou meus nervos. Os médicos disseram que, se aquilo não fosse tratado, eu poderia até perder a sanidade, então tiraram todo o sangue que estava acumulado no meu cérebro. Só não morri porque Deus me protegeu. Às vezes enfrento episódios de depressão, mas Deus cuida de mim e sigo em frente”, disse.

Anos depois, já trabalhando, sofreu outro acidente ao tropeçar enquanto atendia um cliente, machucando a perna. Mesmo assim, não pensa em parar. “Fui fazer uma manobra rápida para atender um cliente, acabei tropeçando e caindo sobre a perna. São coisas que acontecem com quem trabalha. Quem não trabalha só dá trabalho”, diz, com bom humor.

A fé é o que o mantém firme. Antes de começar a vender, ele agradece pela oportunidade de estar nas ruas. “Deus disse para mim: faça a sua parte que eu ajudarei. Então eu procuro fazer a minha. Fico muito feliz quando as pessoas reconhecem meu trabalho. Eu não trabalho só para mim, trabalho para o povo”.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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