21/07/2026
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Superbactéria Ypê causou surto em hospital de MS

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou o recolhimento de 24 itens da marca Ypê no último dia 7 de maio. A medida foi tomada após identificar risco de contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa em detergentes, sabões líquidos e desinfetantes produzidos pela Química Amparo, no interior de São Paulo.

No dia 8 de maio, a decisão que interrompia a fabricação e comercialização dos produtos foi temporariamente suspensa após recurso administrativo da indústria. A Anvisa, no entanto, manteve o alerta sanitário e orientou os consumidores a não utilizarem os produtos com lotes terminados no número 1, devido a falhas graves de produção na planta industrial.

Segundo a agência, os consumidores devem procurar o SAC da fabricante para orientações sobre recolhimento, troca, devolução e ressarcimento. A Ypê informou que já havia iniciado, em novembro de 2025, um recall voluntário de alguns lotes de lava-roupas líquidos após identificar a presença da bactéria em produtos específicos.

A Pseudomonas aeruginosa é multirresistente a antibióticos e pode causar infecções graves, principalmente em pessoas imunossuprimidas, hospitalizadas ou com feridas abertas. A bactéria preocupa por sobreviver em ambientes hostis e resistir a vários medicamentos.

Em janeiro deste ano, casos de contaminação pela bactéria em Campo Grande foram parar na Justiça. Uma mulher de 41 anos denunciou ter desenvolvido infecção após aplicação de ácido hialurônico em procedimentos feitos entre setembro e outubro de 2025 numa clínica da capital sul-mato-grossense. Segundo a ação, a paciente apresentou uma bolha na testa, foi internada e recebeu medicação intravenosa após confirmação de contágio. Ela ficou afastada do trabalho por cerca de 30 dias e teve sequelas estéticas. Outra cliente relatou complicações como hematomas, dormência e perda de sensibilidade no rosto. A clínica contesta as acusações e afirma que prestou assistência. Não houve decisão judicial.

A presença da bactéria em Mato Grosso do Sul remonta a 2003 e 2004. Um surto foi registrado no Hospital Regional de Campo Grande. O MPMS investigou ao menos 31 mortes de pacientes contaminados entre janeiro e setembro de 2003. Relatório da Vigilância Sanitária Estadual apontou a bactéria em lavatórios para mãos e em pia usada para preparo de medicamentos. Dos 61 pacientes contaminados, metade morreu. A direção do hospital afirmou que a presença da bactéria não significava necessariamente a causa das mortes. O caso foi arquivado em 2004 sem conclusão e punições.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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