O policial civil Wilson Xavier, de 60 anos, levou cerca de três anos para completar a coleção de bolas oficiais de todas as Copas do Mundo. O acervo está guardado no escritório da casa dele, em Campo Grande.
A paixão pelo futebol começou na infância. Wilson cresceu perto do estádio Morenão e ainda lembra da movimentação em torno de uma partida entre Flamengo e Corinthians, nos anos 1970. “Na semana que antecedeu esse jogo, as rádios só falavam dele”, conta.
Ele jogou nas categorias de base entre os 15 e os 17 anos e também atuou em equipes com atletas de até 20 anos. Por causa de lesões, deixou os gramados, mas nunca se afastou do esporte. Hoje, além de praticar ciclismo e manter a rotina de academia, Wilson coordena um campeonato para servidores públicos estaduais na Cassems.
A coleção começou quase por acaso. Pesquisando sobre a Copa do Mundo do ano em que nasceu, 1976, ele descobriu curiosidades sobre as bolas usadas nos mundiais e resolveu reunir os modelos. Wilson explica que a Adidas fornece as bolas das Copas desde 1974 e, a partir de 2006, passou a produzir uma bola exclusiva para a final do torneio.
Para ele, cada modelo conta uma história. As bolas antigas de couro eram diferentes das atuais. “Além de encharcar, machucavam de tão pesadas. A bola deformava, mudava quando pingava no chão”, lembra. Nas competições que disputou, ele percebeu a evolução do material. “As bolas já eram oficiais, de qualidade muito boa.”
Montar a coleção exigiu paciência. Algumas peças foram compradas fora do Estado, outras encontradas em Campo Grande. Quando percebeu que tinha cerca de 15 bolas, surgiu o desafio de onde guardar tudo. Ele mesmo organizou o espaço, instalou suportes individuais e planeja colocar cada bola em uma caixa de acrílico para protegê-las. “De vez em quando volto para calibrar as bolas, porque acabam perdendo o ar”, diz.
Os sobrinhos ficam encantados quando visitam o escritório. Antes de qualquer brincadeira, ele aproveita para contar histórias sobre cada Mundial. “Além de ter as bolas, eu sempre estudei sobre Copa do Mundo.”
Com a Copa em andamento, Wilson mantém o otimismo. “A gente sempre tem otimismo por ser brasileiro e sempre tem esperança.” Ele também fala com experiência: “Apesar de ver com paixão e com um pouco de razão, acho que não começamos a Copa como favoritos. Mas agora são oito jogos e, se a equipe se encaixar bem, com um esquema tático que beneficie cada jogador na sua posição, tudo pode acontecer.”
Enquanto espera pelo hexa, Wilson continua na ativa como policial civil na Corregedoria de Trânsito. Embora já possa se aposentar, ele não pensa em parar. “Eu não me vejo aposentado”, finaliza.
