17/07/2026
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MP aponta favorecimento em tapa-buracos com mensagens sobre medições

Mensagens atribuídas a servidores da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) são citadas pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) para reforçar um suposto esquema de fraude em contratos de tapa-buraco da Prefeitura de Campo Grande.

Os diálogos aparecem em documento do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) usado na Operação Buraco Sem Fim. Segundo os investigadores, as conversas ajudam a sustentar a tese de “manipulação deliberada e sistemática das medições de serviço” para beneficiar a Construtora Rial Ltda., principal alvo da operação.

Em uma das mensagens, o então superintendente da Sisep, Mehdi Talayeh, preso na operação, cobra urgência no fechamento das medições ligadas à empresa. “Boa tarde / Precisaremos fechar hoje as medições e passar pro Rômulo pedir nota / Amanhã data limite para descer / Comece pela Rial”, diz o texto.

Para o Gecoc, o trecho indica prioridade dada à construtora na rotina administrativa da secretaria. A investigação interpreta a mensagem como sinal de pressão para acelerar medições e permitir a emissão de notas fiscais.

Em outro diálogo, Mehdi pergunta sobre os valores das medições da Rial. “RIAL janeiro dará mais ou menos 500 tudo é isso? / Vamos agilizar as medições de janeiro”. Na avaliação do Gecoc, a conversa reforça a suspeita de urgência para fechamento de valores e pagamentos.

Outro trecho considerado sensível envolve mensagem atribuída a Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, também preso. Ele relata que realizava medições sem a presença do “apontador”, funcionário responsável pelos registros diários. “As Rial estou fechando, está demorando porque estou tendo que medir as ruas que fizeram que não tinha apontador”. Para o MPMS, a ausência desses registros comprometeria a confiabilidade das medições usadas para justificar pagamentos públicos.

O Gecoc afirma que o esquema funcionava por meio da “manipulação deliberada e sistemática das medições de serviço, em que os pagamentos não correspondiam ao trabalho efetivamente realizado, mas a valores fictícios arbitrados”. As mensagens ajudam a demonstrar um “estruturado esquema de corrupção sistêmica na Sisep”.

O documento ainda atribui funções específicas aos investigados. Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como “Peteca”, é apontado como “sócio oculto e verdadeiro tomador de decisões” da Construtora Rial. Formalmente, a empresa está registrada em nome do filho dele, Antônio Jacques Pedrosa Junior, e da esposa, Lieni Gusmão Jaques Pedrosa.

Mehdi Talayeh estaria ligado à condução e agilização das medições, enquanto Erik atuaria nas medições em campo. O ex-secretário municipal Rudi Fiorese aparece associado ao comando da Sisep durante parte dos processos investigados.

O Ministério Público afirma que a Rial acumulou contratos e aditivos milionários entre 2018 e 2025. Os contratos e aditivos listados na investigação somam R$ 113,7 milhões. Um exemplo é o contrato da Região do Segredo, que saltou de R$ 4,2 milhões para R$ 21,3 milhões. Outro, na região do Anhanduizinho, passou de R$ 10,2 milhões para R$ 46,9 milhões. Para o Gecoc, os valores “não encontram lastro na precária realidade das obras executadas”.

A defesa de Rudi Fiorese afirma que a investigação trata de fatos já analisados na Operação Cascalhos de Areia e sustenta que não há elementos novos que justifiquem as prisões. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos empresários citados.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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