12/04/2026
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Irã ataca base Diego Garcia com mísseis secretos

O Irã atacou neste sábado (21) a base de Diego Garcia, no oceano Índico, usando dois mísseis até então secretos, com um alcance desconhecido no Ocidente. Um dos projéteis foi interceptado por um destróier americano na região e o outro caiu no mar.

A ação é surpreendente e deve fortalecer os argumentos de quem defende a continuação da guerra iniciada há três semanas pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. A ameaça do programa de mísseis balísticos iraniano é um dos motivos citados para o conflito.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou no ano passado que o país tinha mísseis com alcance máximo de 2.000 km. Diego Garcia está a 3.800 km da costa do Irã por mar. Como as bases de lançamento iranianas ficam no interior, estima-se que os mísseis usados no ataque possam voar 4.000 km ou mais.

Essa capacidade de alcance cobre praticamente toda a Europa. O continente europeu até agora se recusou a apoiar o pedido do ex-presidente americano Donald Trump para enviar navios e garantir a reabertura do estratégico Estreito de Hormuz.

Os mísseis utilizados no ataque provavelmente são versões aprimoradas da família Khorramshahr. O modelo 4, com alcance conhecido de 2.000 km, tem sido lançado com munição de fragmentação contra alvos em Israel durante este conflito.

Diego Garcia, localizada no arquipélago de Chagos, é uma base britânica usada há décadas pelos Estados Unidos. No início deste conflito, o Reino Unido havia vetado a presença de bombardeiros para ataques ao Irã na base. Há duas semanas, porém, passou a permitir o uso de suas instalações em Diego Garcia e em Fairford, na Inglaterra, para “ações defensivas”.

Desde então, pelo menos 12 bombardeiros B-1B e 6 B-52 passaram a usar a base no Reino Unido. O bombardeiro furtivo B-2 voa diretamente dos EUA para missões de até 40 horas, com apoio de aviões de reabastecimento.

Não se sabe se algum bombardeiro já foi deslocado para Diego Garcia, que já abrigou os três modelos no passado. Imagens de satélite do início da guerra mostravam uma presença maior de aviões-tanque KC-135 e de caças F-16 americanos na base.

A base no Índico era considerada altamente estratégica por estar fora do alcance presumido dos mísseis iranianos. Outra vantagem era não haver território estrangeiro no caminho para aviões em rota de ataque ao Irã, dispensando autorizações de sobrevoo. Esse cálculo pode mudar após o ataque.

O Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou que “caças da Força Aérea Real e outros ativos militares continuam a defender nosso pessoal na região”. A pasta criticou as “ações irresponsáveis do Irã”, mencionando também “o sequestro do estreito de Hormuz”.

Diego Garcia também esteve no centro de uma polêmica entre Donald Trump e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Além do veto inicial ao uso de bombardeiros, os britânicos estão em processo de devolver o arquipélago de Chagos às Ilhas Maurício, embora mantenham o direito de usar a base.

Trump criticou Starmer por essa medida, em meio à crise entre o americano e seus aliados europeus. Na sexta-feira (20), o republicano disse que os 30 países europeus da Otan eram “covardes” por não apoiarem a reabertura de Hormuz. Ele afirmou que a aliança era “um tigre de papel” sem a força militar dos Estados Unidos.

Ainda neste sábado, houve ataques em outros pontos do Oriente Médio. Israel bombardeou a central nuclear de Natanz, uma das principais do programa iraniano. A destruição dessa instalação é um dos objetivos declarados da guerra. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, não houve registro de contaminação radioativa na área atingida.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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