17/07/2026
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Correios suspendem plano e buscam R$ 7 bi

Os Correios suspenderam, neste mês, parte do plano de reestruturação que estava em andamento. A decisão interrompeu o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que atendem ao público e a adoção de um sistema para mapear recursos necessários para as entregas. A medida foi tomada após a ameaça de greve por parte dos servidores.

A suspensão ocorre enquanto a direção da empresa, comandada por Emmanoel Rondon, busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. Esse valor faz parte da estratégia para reverter os resultados negativos dos últimos anos. A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.

Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária e servirá para que entidades representativas dos trabalhadores apontem possíveis distorções na aplicação das medidas. A empresa disse que as demais iniciativas do plano de reestruturação, como a venda de imóveis e a contenção de despesas, continuam.

Suspensão temporária e negociação

A suspensão foi proposta em carta a sindicalistas, como resposta ao movimento grevista. Os representantes dos trabalhadores indicaram que começariam uma paralisação na terça-feira passada. Após o aceno da direção, recuaram e mantiveram apenas o estado de greve, que permite paralisação a qualquer momento se houver descumprimento dos termos da negociação.

A carta, à qual O GLOBO teve acesso, propõe a suspensão do fechamento de unidades até 31 de julho de 2026, exceto as já fechadas ou em processo avançado. O documento é assinado pelo presidente da empresa e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações. Durante o período, novos fechamentos serão avaliados com análise técnica, institucional e social.

Também foi proposta a suspensão do sistema de dimensionamento de distribuição e a reavaliação de medidas já realizadas em junho. A direção se comprometeu a interromper a retirada do Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e Quebra de Caixa, com reavaliação dos benefícios encerrados.

Impacto financeiro e fechamento de agências

Das ações paralisadas, o fechamento de agências e centros de tratamento e distribuição é uma das mais relevantes para a recuperação financeira. Das 1.000 unidades que a empresa pretendia reduzir, com economia prevista de R$ 2,1 bilhões, 256 já tiveram suas atividades encerradas.

O novo programa de demissão voluntária (PDV), que deve ser anunciado em breve, será voltado exclusivamente para as unidades fechadas, que têm 7 mil funcionários. Na primeira iniciativa de desligamento voluntário deste ano, apenas 3.075 funcionários aderiram, bem abaixo da meta de 10 mil. A economia foi de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas.

Na parte do plano que envolve novas receitas, a empresa vem avançando em parcerias. O plano de reestruturação foi apresentado no ano passado, diante da grave crise financeira, como condição para que o Tesouro Nacional desse aval a um empréstimo de R$ 12 bilhões para socorrer a estatal.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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