16/07/2026
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Bruno Gagliasso critica machismo: ‘Homens não choram?

Bruno Gagliasso precisou sair de casa durante as gravações de “Por um fio”. No filme, que estreia em outubro e é baseado no livro homônimo de Drauzio Varella, o ator de 44 anos interpreta o irmão do médico, que morre de câncer. Na tela, sua atuação emociona à medida que a doença avança e ele mergulha em um estado de tristeza. O trabalho exigiu mudanças físicas — ele perdeu 24 quilos — e também afetou seu emocional. O ator admite que leva o personagem para casa e que diretores o definem como “intenso”.

Bruno participou do videocast “Conversa vai, conversa vem”, do GLOBO, que vai ao ar hoje, às 18h, no YouTube e no Spotify. Durante a entrevista, ele falou sobre como o filme mexeu com ele. “Não tinha como não ir fundo. É uma história de amor entre irmãos que mostra a fragilidade da vida. Mexeu demais comigo. Meu personagem morre de câncer, perdi amigos para a doença. Olhar para os meus filhos foi dolorido. Eu chorava muito. Estava insuportável.”

O ator também comentou sobre sua forma de trabalhar. “Procuro existir e não atuar. Posso fingir, mas não quero, e quem está assistindo percebe. É por isso que saio de casa: fico longe porque gosto de mergulhar no personagem. Admiro grandes atores que conseguem separar. Tony Ramos, por exemplo… Eu levo o personagem para casa, não sei separar meu trabalho.”

Bruno falou ainda sobre seu primeiro filme no cinema, “Clarice vê estrelas”, dedicado à filha Titi. “De todas as histórias que estou contando, essa é a mais afetiva. Fiz esse filme para ela. Colocar uma menina preta como protagonista. É um filme antirracista sem falar sobre racismo. Botar essa criança preta para sonhar, mexer no imaginário e não para sofrer.” Ele contou que procurou o jogador Vini Jr. para ser produtor associado do longa.

O ator também destacou a importância de contar a história do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido político. “Se estive do lado da escória da História, também quero estar do lado certo. Honestino morreu 50 anos atrás. E a nossa luta ainda é por justiça, liberdade e democracia até hoje.”

Sobre sua vaidade e estatura, Bruno disse que já foi uma questão, mas não é mais. “Cansei de usar salto. Pra personagem, então… Essas questões são fortes quando se é mais novo. Falaram que estava feio de tão magro em ‘Por um fio’. Não me achei, porque tinha que estar daquele jeito. Nunca a vaidade da beleza vai ser maior do que a minha profissional.”

O ator também comentou sobre o TDAH e a hiperatividade. “Fui expulso de três escolas. Tomo remédio desde sempre. Não decoro texto. Estudo, entendo o sentido. Não consigo ler um texto que não me interesse e nem aceitar papéis que não quero fazer, mesmo que ganhe uma fortuna.”

Por fim, Bruno falou sobre dinheiro e a adoção dos filhos. “Talvez, ter 12 cavalos. Mas não tenho o sonho de ter um avião. Gosto de dinheiro, mas gosto muito mais de tempo. Amor não tem CEP. Não escolhi ir para a África para me tornar pai. Minha mulher se tornou mãe e eu me tornei pai porque ela foi visitar um país e encontrou o grande amor da vida dela, que é a nossa filha.”

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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