05/08/2026
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Avião alemão sobrevoa Pantanal para medir gases do efeito estufa

Avião alemão sobrevoa Pantanal para medir gases do efeito estufa

Um avião-laboratório alemão sobrevoou o Pantanal de Mato Grosso do Sul na última sexta-feira (31) para medir as concentrações de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) na atmosfera. A operação faz parte da campanha científica CoMet 3.0 Tropics, uma parceria entre Brasil e Alemanha que também prevê medições na Amazônia e no Cerrado até meados de setembro.

Dados do site de rastreamento FlightRadar24 mostram que a aeronave, um Gulfstream G550 registrado sob o prefixo D-ADLR e operado pelo Centro Aeroespacial Alemão, realizou duas missões no espaço aéreo sul-mato-grossense. Ambas partiram de Cuiabá (MT), cidade que serve de base para a campanha.

O primeiro voo decolou às 8h20 e durou 5 horas e 42 minutos. O segundo saiu às 18h16, com 2 horas e 26 minutos de duração. Os trajetos se concentraram sobre a região de Corumbá e o norte do estado.

Objetivos da missão

A campanha reúne cerca de 120 pesquisadores de instituições brasileiras e alemãs. No Brasil, a coordenação é do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), sob liderança do pesquisador Dirceu Herdies. Pelo lado alemão, o coordenador é o cientista Andreas Fix, do DLR.

O objetivo é obter medições inéditas dos fluxos e das concentrações de carbono e metano nos trópicos úmidos. Os dados servirão para complementar sistemas de observação terrestre e por satélite, reduzir incertezas em modelos climáticos e calibrar instrumentos científicos.

Cada bioma tem um foco específico. No Pantanal, as medições buscam verificar as emissões de metano das áreas alagadas. Na Amazônia, os estudos querem compreender o balanço de carbono da floresta. No Cerrado, a atenção está nas emissões causadas por queimadas.

“O avião vai voar sobre o Pantanal para verificar as emissões de metano das regiões alagadas. A Amazônia é extremamente importante para conhecermos o balanço de carbono. No Cerrado, nosso foco são as emissões das queimadas”, disse o professor do Instituto de Física da USP e pesquisador do ATTO, Luiz Machado.

Estrutura da aeronave

A aeronave usada na campanha é o HALO (High Altitude and Long Range Research Aircraft), versão científica do jato executivo Gulfstream G550. O modelo opera em altitudes entre 850 metros e 15 mil metros, o que permite medições em diferentes camadas da atmosfera.

O avião carrega um sistema Lidar (Light Detection and Ranging), que usa pulsos de laser para medir com precisão as concentrações de CO₂ e metano. Também leva instrumentos de sensoriamento remoto para identificar gases de efeito estufa e outros traçadores de massas de ar.

O avião chegou ao Brasil em 25 de julho, por Fortaleza (CE). No deslocamento para Cuiabá, a equipe sobrevoou a represa da Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, em Minaçu (GO). O local foi escolhido porque reservatórios com vegetação submersa são fontes naturais de emissão de metano.

Cronograma

A campanha CoMet 3.0 Tropics deve realizar cerca de 15 voos científicos até meados de setembro. Cada missão pode durar até 10 horas, em horários variados, de dia ou de noite. Por questões de segurança e descanso das tripulações, estão previstos até três voos por semana.

As medições devem ampliar o conhecimento sobre o comportamento dos gases de efeito estufa em três biomas brasileiros e contribuir para estudos sobre mudanças climáticas no Brasil e na Alemanha.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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