Após uma reunião no Rio, os candidatos selecionados para representar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição para governador foram convocados para um encontro com ele em Brasília na tarde desta terça-feira. É provável que o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), seja apresentado como pré-candidato ao Palácio Guanabara, e o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), seja o vice.
Inicialmente, Flávio terá um diálogo com o governador Cláudio Castro (PL) e o presidente estadual do partido, o deputado federal Altineu Côrtes, para definir as condições do acordo eleitoral. Em seguida, os outros membros envolvidos serão convocados, e a expectativa é que ainda hoje seja anunciada a aliança. Nos últimos dias, a intenção no PL era que a chapa fosse divulgada já com governador e vice juntos.
A opção por Douglas Ruas vai contra o que Castro tem defendido recentemente: indicar seu secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, para concorrer ao mandato temporário que estará em disputa na eleição indireta, caso o governador deixe o cargo até abril para poder concorrer ao Senado. Nesse cenário, Miccione não concorreria à reeleição em outubro, e o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, seria candidato ao Palácio Guanabara na eleição direta.
Nos últimos meses, Ruas expressou que gostaria de já estar no cargo, através de votação indireta, no momento de enfrentar a campanha oficial, na qual terá o prefeito Eduardo Paes (PSD) como principal adversário. Dessa forma, ele concorreria com o apoio da máquina. Flávio Bolsonaro também considera essa configuração mais favorável para sua candidatura.
Mesmo que a reunião de hoje esteja mais focada na eleição de outubro do que na indireta, ainda existem dúvidas sobre a viabilidade de Miccione a partir de agora, o que dependeria de Ruas aceitar ser o candidato sem estar no cargo no início da campanha.
Rogério Lisboa era um dos favoritos para ser o vice na chapa de Paes, mas a dificuldade do prefeito em garantir o apoio do PP o levou a procurar o MDB e fechar uma parceria com o presidente estadual do partido, Washington Reis, que indicou a irmã Jane Reis para o cargo. A ação de Paes fez com que o outro lado da disputa se mobilizasse.
A reunião que ocorreu no Rio como preparativo para a viagem a Brasília contou com a presença de Castro, Altineu e membros do PP e do União Brasil. Além de Lisboa, estavam presentes o presidente estadual do PP, deputado Dr. Luizinho; o presidente nacional do União, Antonio Rueda; e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella.
Na política do Rio, a percepção é de que os acordos ainda podem mudar até a campanha, já que Paes tende a fazer novos movimentos para tentar atrair o PP e o União. Hoje, no entanto, o acordo dele com o MDB levou esses partidos – que possuem um tempo significativo de propaganda eleitoral na TV e no rádio, além de boa penetração no estado – para o lado do bolsonarismo.
